Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de abril 8, 2025

Reviravoltas da vida

As pessoas que convivem comigo e as que me acompanham na internet devem ter percebido uma certa mudança em mim. Nas últimas semanas, tirei meu escapulário do pescoço, abandonei as missas e as confissões e venho compartilhando coisas de outro viés na internet. Trata-se de mais uma reviravolta completa em minha vida, e não é a primeira vez que isso acontece.  Ao revisar de forma breve meu Tumblr (blog), senti necessidade de escrever isso. Eu vivia um fervor religioso, e isso se refletiu nos textos que escrevi. Um deles, publicado em maio do ano passado (2024),  intitulei “Volta ao Monoteísmo”. E o que eu queria dizer com esse título? Foi o relato de outra reviravolta, mas no sentido contrário à de hoje Isso é muito angustiante, é como se eu tivesse duas versões opostas vivendo dentro de mim. Essa dualidade começou há 7 ou 8 anos, quando eu sofria para concluir minha faculdade de Jornalismo. Foi um período de muita paranoia e loucura, em que eu precisava pedir ajuda a alguma enti...

Tesouros literários

Hoje foi um dia em que estive pleno, empolgado e contente. Foi um daqueles dias em que a literatura me arrancou do precipício da autodestruição. Fiquei feliz por saber que estava cultivando algo saudável e enobrecedor, longe dos venenos. Há poucos dias, decidi aprofundar-me sobre a cultura e história da Ilha de Santa Catarina, a antiga Nossa Senhora do Desterro. Pretendo escrever ainda mais sobre ela. Separei dois livros que tenho em minhas estantes: um sobre a invasão espanhola de 1777 e outro sobre a ilha na Era dos Descobrimentos. Sim, a ilha já era conhecida nessa era, no século 16, e, nessa região, localizava-se o Porto dos Patos, importantíssima no trajeto para o Rio da Prata. Ademais, providenciei a compra de mais três livros que certamente me ajudarão: um de Franklin Cascaes, outro que analisa a obra desse artista e outro sobre devoções e crenças açorianas. Fiquei decepcionado na minha procura, pois são pouquíssimos os materiais disponíveis. Pois bem, apesar disso, esses cinco ...

Apuros no Matadeiro

Josué Rosa caminhava apressado em frente à Igreja de Sant’Anna, que fica na Praia da Armação, em Florianópolis. A igreja tinha sido inaugurada havia uma semana, em 1772, e no momento era uma atração imperdível para todos os moradores espalhados pela Ilha de Santa Catarina. Inclusive estavam lá familiares de Josué, moradores da região da Lagoa da Conceição, que não apareciam havia dois anos, mas foram ignorados pelo sujeito. O pescador Josué fechou a cara e seguiu seu rumo, com uma mão segurando um cachimbo e, a outra, carregando um robalo ainda vivo. O enorme robalo agonizava em seus últimos minutos de vida, e Josué pensava que ele estava morto. Entretanto o peixe teve um violento espasmo que chegou a surpreender até mesmo o experiente pescador, fazendo-o derrubar seu cachimbo. É claro que isso fez o indivíduo explodir de raiva, posto que ele já estava bem mau-humorado antes disso, e também fez seus familiares, vingativos, caírem em gargalhadas. É compreensível o comportamento de Josué...

Não perturbe: mente trabalhando!

É em um dia ensolarado de verão que, transpirando, inspirei-me para escrever esta crônica. Essas inspirações, caro leitor contundente, são como os pássaros livres do seu jardim. Volta e meia, eles aparecem para comer os grãos que você deixou para eles e, assim como chegaram, vão-se embora. Naturalmente. Pois bem, hoje, por acaso, peguei um livro de crônicas do grande escritor José de Alencar. Venho eventualmente fazendo isso devido a uma certa dificuldade em escrever esse gênero textual. De fato, é uma leitura prazerosa, que enriquece meu português e faz minha mente viajar pelo mundo das ideias. “O Guarani” é um dos meus livros favoritos, então conheço o potencial desse escritor. As crônicas dele são bem fluidas, tratam de diversos assuntos no mesmo texto e, o mais interessante: percebemos a influência do Jornalismo na escrita. Não é à toa que a edição é uma coletânea feita pelo jornal Folha de São Paulo. Passeando pela minha pequena, mas rica estante (leio muito devagar, admito), pode...

Minha realidade

Há uns dois meses, venho frequentando uma igreja próxima de minha casa. Descobri-a por acaso, pois a igreja matriz da região está de férias. Então, nesse período, um certo grupo de mútua-ajuda está se reunindo nessa outra igreja menor. Minha mãe participa desse grupo, que é destinado a codependentes.  Para quem não sabe, “codependentes” são familiares de dependentes químicos. No caso, eu sou o dependente químico, ou adicto. Mas, de antemão, aviso que estou limpo, em recuperação (como é dito nesse meio) e peço à Virgem Maria que não me deixe voltar para onde eu lutei muito para sair. Minha mãe estava lá na primeira reunião das férias, e eu decidi acompanhá-la dessa vez. Mal sabia eu o que viria a acontecer. Logo no início, nas apresentações, eu senti uma energia muito forte de pessoas sofridas e angustiadas. Um forte nó na garganta começou a me atormentar, posto que eu odeio me emocionar em público. Eu sabia que seria algo diferente das reuniões de Narcóticos Anônimos, pois em NA a ...

Dilemas das ruas

João estava livre naquela tarde de terça-feira e, como de praxe, pegou seu ônibus e saiu do Ribeirão da Ilha em direção ao Centro. Desceu no terminal e foi caminhando sem rumo. Só sabia que, em algum momento da tarde, gostaria de participar de uma missa. Esfomeado, decidiu comer um pastel no Mercado Público. Vislumbrou a possibilidade de comer na parte de fora do estabelecimento, mas ele lembrou dos chatos pedintes e moradores de rua, então resolveu comer na parte de dentro do mercado. O rapaz tinha seus 32 anos e já tivera problemas graves com moradores de rua. Quase perdera a vida assim. Por isso, tinha uma certa paranoia com isso. Finalizado o pastel, foi caminhando em direção à parte de baixo da praça XV. Até ali, apenas dois pedintes o incomodaram, o que lhe custou a quantia de dois cigarros.  Tá aqui, parceiro. “A vantagem de fumar é que você se livra dos mendigos mais rápido”, pensava João.  Ali em frente, havia um espaço aberto, perfeito para os indígenas, que, em um g...

Escritores invisíveis

De antemão, quero dizer que esse texto é um artigo de opinião. Não pensem que trata-se de cunho publicitário. Venho aqui argumentar sobre o valor dos “escritores invisíveis”, desconhecidos, desvalorizados, desprezados e mais vários outros “des”. É claro que eu sou um deles, é evidente que sou pouco lido e que sonho em crescer nesse mundo. Mas essa não é uma tentativa desesperada de angariar novos leitores. Essa reflexão que venho compartilhar iniciou-se há um ou dois anos, quando, em uma noite comum, meu pai me ligou convidando para o lançamento de um livro. Naquele momento eu já era um “escritor invisível”, já tinha concluído o curso de Jornalismo e tinha alguns textos guardados. O convite veio a calhar, pois eu estava “parado”, ou seja, não estava escrevendo, e isso foi uma faísca para eu voltar à ativa. Meu pai me buscou de carro aqui no Córrego Grande, subimos o Morro da Lagoa e pegamos a Avenida das Rendeiras. Um percurso difícil de enjoar, tendo em vista o visual exuberante da La...

Lição de vida

São diversos os acontecimentos que fortaleceram minha fé e meu encantamento pela religião. Um deles foi marcante ao extremo e me fez registrar textualmente para a minha eternidade. E o mais fascinante é que esse tipo de registro é terapêutico e gratificante para o escritor, pois amadurece a interpretação de suas vivências. No final do meu curso de Jornalismo na universidade, eu vivia um período tenebroso de paranoia, ansiedade e delírios. Eu precisava produzir um TCC e me considerava incapaz para fazê-lo. Por muito pouco não desisti. Inicialmente, o tema era sobre torcidas organizadas do futebol brasileiro. Porém, conforme eu dava meus primeiros passos, eu fui percebendo que esse era um tema inviável por muitos motivos. Naquela época, eu já estava espiritualmente desesperado, pedindo ajuda e misericórdia ao Poder Superior. É inacreditável o estrago que o uso de maconha me causou. Lembro de rezar fervorosamente, mas ainda não tinha feito certas renúncias. Eu ia todas as semanas ao centr...

Volta ao monoteísmo

Após um grande hiato sem escrever, resolvi voltar aqui. Isso aconteceu depois de eu acessar esse blog (o que também não acontecia há tempos) e me deparar com um determinado texto. Nele, eu defendia com unhas e dentes o politeísmo, ou crença em diversos deuses. Pode soar cômico, mas eu mudei. E já faz um bom tempo. Impressiono-me com esses escritores que seguem uma vida inteira defendendo as mesmas ideias, com as mesmas convicções. Eu vivo mudando, a ponto de isso me incomodar bastante. E a religião é um dos temas que mais roubam minha atenção. Já faz mais de dez anos que tive uma experiência tenebrosa com a maconha, que me levou a pesquisar sobre o rastafarianismo, o que, por sua vez, despertou um profundo interesse pela religião e pela teologia. Hoje acredito que a única coisa boa que a cannabis me trouxe foi esse interesse. Mas isso é assunto para outra ocasião. Sabe-se lá se eu não teria me interessado por religião sem a influência da substância?! Desde esse "despertar", e...

Quero ser imortal

Recentemente, eu, como um assíduo leitor de histórias em quadrinhos, deparei-me com uma notícia que me causou indignação. A polêmica girava em torno do nosso célebre quadrinista Maurício de Souza, criador da Turma da Mônica, que concorria a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Seu concorrente, James Akel, cujo maior trabalho foi um livro sobre marketing do setor hoteleiro, atacou com uma declaração que virou assunto na internet: “Gibi não é literatura”. Logo, um tema que tanto me atinge e me rouba atenção estaria bombando nas redes, fato que me animou. O ponto aqui não é se eu desejo ardentemente a vitória de Maurício de Souza, e sim a arrogância de muitos defronte aos quadrinhos, uma modalidade da arte e da comunicação. De fato, quadrinhos não são o mesmo que literatura, mas o sujeito precisava falar dessa forma? O uso do termo “gibi” foi feito com humildade? Você pode até achar que não, mas a sequência da entrevista me leva a crer que sim. Segundo James Akel, o rei do marketing...