Centenas de meninas brincavam felizes no pátio do Colégio Coração de Jesus, localizado no centro de Florianópolis, em um dia ensolarado de 1964. Na época, só meninas podiam estudar lá. O pátio estava uma correria só, e a maior parte das crianças brincavam de pega-pega e esconde-esconde. Uma freira, que atuava lá como inspetora, tentava manter controle da situação. Em meio ao caos infantil do recreio, três garotas cantarolavam e batiam as mãos em um degrau, perto de uma parede. Os nomes delas eram Clotilde, Rita e Gorete. A Clotilde, no íntimo, cantava com um forte nó na garganta, em profunda angústia, pois estava proibida de “correr muito”. Seu médico, havia pouco tempo, tinha descoberto um problema em seu coração e logo alertou seus pais. Clotilde, atormentada, pediu para parar a brincadeira, virou-se para o chão, respirou e mentalmente perguntou para os céus: “O que fiz para merecer este castigo? De uma hora para outra não posso mais brincar!”. A vista e o barulho da criançada corren...