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Mostrando postagens de junho 26, 2025

Psicológico Escravizado

No interior da Ilha de Santa Catarina, final do ano de 1850, um grupo de jovens e crianças escravizados trabalhavam duro num engenho de farinha de mandioca. Entre eles estava Tadeu, de 13 anos, que gostava de descascar as raízes, pois era a parte que fazia com mais facilidade. Ele estava com um “galo”, ou inchaço, na testa, resultado de um ataque de fúria de seu pai. Motivo? O rapaz não conseguia arrancar as plantas da terra numa velocidade boa, ao contrário dos outros rapazes de sua idade. Com sua faca, tirava as cascas das raízes com destreza, e o tempo passava de forma veloz. A concentração de Tadeu só foi interrompida com a chegada de seu primo mais velho, que chegava puxando fumaça de um cachimbo freneticamente. O primo estava acelerado e não parava quieto. Pensou em zombar do galo na testa de Tadeu, mas tinha uma notícia bombástica: Ocês não vão acreditar! O Paulinho ali da fazenda do seu João me disse que os branco pararo de trazer nosso povo lá das África, do outro lado do mar!...

A Revolução dos Livros

Nos últimos dias, fui convidado a escrever um texto sobre qualquer coisa. Nos primeiros segundos, já me veio a ideia de discorrer sobre a famosa prensa de Gutemberg, assunto que me cativa. Lembro de ter estudado isso nas aulas de história da escola, mas, na época, não entendia a importância dessa invenção. Foi anos depois, já formado em Jornalismo, que comecei a ter reflexões dignas sobre a importância desse invento, pois peguei um livro antigo da faculdade que tratava, também, sobre a prensa. Foi por volta de 1450 que Johannes Gutemberg se inspirou nas prensas de vinho para criar uma de “tipos móveis”. Era uma máquina de madeira que conseguia mecanizar o processo de impressão, tanto de palavras simples quanto de livros inteiros. Desde então, o mundo passou a compartilhar conhecimento com muito mais facilidade, e a humanidade deu um salto exponencial em todas as áreas. Como sou um entusiasta da leitura, é muito prazeroso refletir sobre isso. Para mim, essa invenção é equivalente, em im...

Por que escrevo?

Ainda ontem, tive consulta com minha psicóloga, da qual saí muito reflexivo. Quem faz terapia sabe o quanto ela nos faz pensar sobre a vida. Por vezes, são reflexões prazerosas, outras nem tanto. Horas depois, já em casa, esquentei um chá, sentei na poltrona de casa e peguei algo pra ler. Ali, com um livro aberto em mãos, mais pensamentos vieram à mente, e logo me flagrei sonhando acordado. A questão era: por que escrevo? Não é a primeira vez que discorro sobre isso, porém eu mudei e, atualmente, tenho um entendimento mais maduro (espero). Isso é uma das mágicas da literatura: a gente põe nossa subjetividade no papel, e ela se modifica, pois sempre estamos nos transformando. Bom, não tem como responder essa questão sem citar as histórias em quadrinhos. Já na infância, devorava as revistas da Turma da Mônica e da Disney. Depois, lá pelos 11 anos de idade, lembro direitinho o momento em que migrei para leituras mais “maduras”. Estava vasculhando as HQ’s de uma banca, quando avistei a cap...

A Vingança Bruxólica

Às 10 da manhã, Pablo, no balcão, examinava as contas do seu Bar e Restaurante. O estabelecimento, chamado Vieira’s, ficava de frente para a praia da Barra da Lagoa, em Florianópolis, muito antes da voraz especulação imobiliária descobrir o local. Com caneta e calculadora em mãos, ele franziu repentinamente as sobrancelhas e ficou muito sério. Apertou os lábios de uma forma que assustava. O pequeno empresário ficou assim, pois constatou a imensa dívida que um certo cliente acumulava há mais de dois meses. Por sinal, o devedor estava no local naquele exato momento. Um negócio cuja proposta é ser tanto um bar quanto restaurante tem algumas implicações especiais. Por vezes, os clientes do almoço entram em conflito com os da bebedeira. Na maioria das vezes, são os beberrões que estão errados, mas Pablo não se importa. O importante para ele é o lucro.  No período da manhã, até mais ou menos 11 horas, são os bêbados mais assíduos e doentes que frequentam o local, mas normalmente eles ain...