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Volta ao monoteísmo

Após um grande hiato sem escrever, resolvi voltar aqui. Isso aconteceu depois de eu acessar esse blog (o que também não acontecia há tempos) e me deparar com um determinado texto. Nele, eu defendia com unhas e dentes o politeísmo, ou crença em diversos deuses.


Pode soar cômico, mas eu mudei. E já faz um bom tempo. Impressiono-me com esses escritores que seguem uma vida inteira defendendo as mesmas ideias, com as mesmas convicções. Eu vivo mudando, a ponto de isso me incomodar bastante.


E a religião é um dos temas que mais roubam minha atenção.


Já faz mais de dez anos que tive uma experiência tenebrosa com a maconha, que me levou a pesquisar sobre o rastafarianismo, o que, por sua vez, despertou um profundo interesse pela religião e pela teologia. Hoje acredito que a única coisa boa que a cannabis me trouxe foi esse interesse. Mas isso é assunto para outra ocasião. Sabe-se lá se eu não teria me interessado por religião sem a influência da substância?!


Desde esse "despertar", eu fico alternando entre o monoteísmo e um politeísmo quase que blasfemo, satânico.


Antes de qualquer coisa, esclareço que minha interpretação sobre satanismo é diferente do que a mais comum. Não, eu não acho que satanismo seja fazer a maldade, sacrificar animais ou pessoas, etc. Eu via e vejo o satanismo apenas como uma oposição ao conservadorismo judaico-cristão.


Esclarecido esse ponto (crucial), e voltando ao assunto principal, volto-me para a incessante alternância.


Às vezes eu sofria muito com meu problema com drogas, ou quaisquer outros problemas pessoais, e sentia um conforto no cristianismo. E aí começava a ler, pesquisar e consumir todo tipo de conteúdo cristão e monoteísta.


Até que, repentinamente, poderia ver alguma pregação infeliz, alguma fala descabida, que me incomodava e gerava uma reviravolta na minha mente e me levava de volta às convicções politeístas.


Vivi esse ciclo alguns intermináveis anos, quase uma década. É por isso que, como disse no início desse texto, fico admirado com os pensadores que seguem uma mesma linha durante a vida toda.


Antes disso tudo, eu não me importava muito com religião, era indiferente. Mas vamos dizer que eu pendia para o lado mais “blasfemo” e anti-religião. Isso me levaria a pensar que esse é o meu estado normal. Por outro lado, eu tinha o hábito de rezar mentalmente, pois era muito medroso. Eu já tinha medo de espíritos e recorria a oração. A grande questão é que esse conflito ideológico não me angustiava, eu não via problema.


Até que comecei a fumar maconha e, como tantos outros, comecei um fascínio pelas músicas do Bob Marley e outros cantores de reggae. Dali descobri o Rastafarianismo, e esse origina-se da Igreja Ortodoxa Etíope, que é cristã!


Sem me estender muito nessa parte, eu comecei a me interessar pelo Cristianismo. E, ali, eu já não via contradição em pegar livros católicos ou protestantes para ler. Li coisas interessantíssimas, que me fascinaram ao mesmo tempo que me traziam conforto em momentos de angústia. Logo procurei a Igreja Católica mais próxima de onde eu morava e fiz a catequese e o crisma (pois não havia feito na infância).


Mas, ao mesmo tempo, ainda havia uma forte raiz ateia e/ou crítica do Cristianismo. Logo eu via um pastor ou padre cometendo e falando atrocidades e me revoltava. Já botava a culpa no Cristo por coisas que alguns idiotas fazem dois mil anos depois da crucificação! Voltava a ouvir heavy metal (pois apesar de gostar da sonoridade, acredito que seja incoerente um cristão ouvir metal), mudava o foco das leituras e vivia procurando maneiras mais duras de criticar o Cristianismo.


Esse é um angustiante ciclo mental que eu vivia. Mas parece que findou. Já faz bastante tempo que me considero cristão, rompi com o meu eu blasfemo e ignorante. Pois o Cristianismo é caloroso e te aconchega. Parece-me que são vantagens de se acreditar num único criador, numa única fonte de vida. Eu não excluo a possibilidade de haver outras entidades espirituais, mas a divindade é só uma.


Eu, mesmo quando me considerava politeísta, achava que a humanidade era incapaz de dizer como eram esses deuses. Mas, mesmo nesses tempos, via no Deus Abraâmico, bíblico, único, o mais provável de realmente existir.


Vale lembrar que eu não acredito em tudo que a Bíblia diz, nem conseguiria. O próprio Papa Francisco disse, esses tempos, que Deus não opera com uma varinha mágica, e que o evolucionismo é real. Está aí algo que me fez comemorar e me identificar ainda mais com o catolicismo.

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