Bom, o título deste texto já diz muita coisa. Eu estou tão fodido, que recuperei minha fé em Deus e perdi a vergonha de publicar minhas crônicas autobiográficas. Ao repostá-las, pude relembrar como eu estava no início deste ano e fazer um exame minucioso de minha trajetória. Ora, eu tive um fucking surto psicótico no fim do ano passado, e hoje estou tentando sair de uma recaída com a cocaína. Não posso continuar brincando com minha saúde mental, pois talvez alguma dessas “escorregadas” me tire a sanidade de forma derradeira.
Eu estou arrasado. Há anos eu vivia em uma situação que poderia ser nomeada como “internação domiciliar”. Eu não lidava com dinheiro, não pegava o carro, não saía quando queria. Minha família, apesar de algumas recaídas pontuais, levando em conta que eu já participava há 2 anos da irmandade de Narcóticos Anônimos, considerou que talvez fosse o momento de mudar de estratégia. Pois bem, a ideia foi alugar um carro para eu trabalhar como uber.
Eu tinha medo de fazer Uber, pois tenho dificuldade em dirigir carros manuais, mas estava tão angustiado que criei coragem. Nas 3 primeiras semanas, tudo correu bem. Eu estava feliz, apesar da dificuldade em dirigir nos morros, quando se exige uma certa habilidade com a embreagem. Depois de tanto tempo recluso, eu estava maravilhado por trabalhar passeando pela ilha, conhecendo gente nova e tomando uns cafés superfaturados nas praias.
Estava tudo evoluindo, e, inclusive, tinha conhecido uma pessoa interessante. Minha vida estava mudando para melhor. Entretanto, na primeira frustração com essa pessoa, tal qual uma criança, revoltei-me e recorri à droga para me anestesiar. O plano era o de sempre: usaria apenas meia grama e voltaria à vida normal. Porém, quando me dei conta, tinha cheirado o aluguel do carro todo, e mais um pouco!
Hoje tive uma consulta com a psiquiatra e, com um pouco de lucidez, pude constatar que tinha perdido completamente o controle. Uma aflição tomou conta de mim, uma agonia infernal, um frio na barriga imenso. Eu estava tão assustado e aflito que comecei a rezar. Peguei um livro do Alan Kardec, “O evangelho segundo o espiritismo”, e comecei a ler compulsivamente. Sim, eu voltei a Deus. E quem lê essas minhas crônicas autobiográficas sabe o que isso significa. É muito marcante se reconciliar com Deus.
À noite, fui a uma reunião de Narcóticos Anônimos. E como em toda reunião, começamos com a oração da serenidade. Foi um momento de forte emoção, e eu não consegui dizer a oração, pois se dissesse, cairia num choro compulsivo, e eu odeio chorar em público. Na verdade, nunca vou esquecer da oração de hoje. Foi como oficializar a minha total rendição a Deus. E concluo o dia escrevendo isso ao som do Rappa, uma banda que eu amo e escuto muito quando estou de bem com o Poder Superior. Como diz uma música: “pois a vitória de um homem às vezes se esconde num gesto forte que só ele pode ver”.
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