É em um dia ensolarado de verão que, transpirando, inspirei-me para escrever esta crônica. Essas inspirações, caro leitor contundente, são como os pássaros livres do seu jardim. Volta e meia, eles aparecem para comer os grãos que você deixou para eles e, assim como chegaram, vão-se embora. Naturalmente.
Pois bem, hoje, por acaso, peguei um livro de crônicas do grande escritor José de Alencar. Venho eventualmente fazendo isso devido a uma certa dificuldade em escrever esse gênero textual. De fato, é uma leitura prazerosa, que enriquece meu português e faz minha mente viajar pelo mundo das ideias. “O Guarani” é um dos meus livros favoritos, então conheço o potencial desse escritor. As crônicas dele são bem fluidas, tratam de diversos assuntos no mesmo texto e, o mais interessante: percebemos a influência do Jornalismo na escrita. Não é à toa que a edição é uma coletânea feita pelo jornal Folha de São Paulo.
Passeando pela minha pequena, mas rica estante (leio muito devagar, admito), pode-se encontrar outro livro de crônicas produzido pela Folha de São Paulo. Esse, por sua vez, de um outro titã da literatura brasileira: Machado de Assis.
Olhando para os dois livros, tive a ideia de intercalar a leitura entre eles para, posteriormente, decidir-me sobre qual eu aprecio mais. Noto que Machado é mais enaltecido no meio literário, mas “O Guarani”, de José de Alencar, me marcou profundamente.
Seria uma curiosidade minha dizer por aí que prefiro José de Alencar. Porém, Machado escreveu um livro que também gostei bastante, o “Esaú e Jacó”. Nesse livro subvalorizado no meio literário, há dois irmãos gêmeos, um monarquista e outro republicano que vivem um conflito na época da transição. Foi uma leitura sensacional, posto que eu me interesso muito pela monarquia. Não sou monarquista, entretanto a argumentação dos monarquistas me intriga, e eu gosto de ler sobre isso. Esse tema me interessa muito mais do que o de “Dom Casmurro”, livro super conhecido do autor.
Espero que essas leituras, crônicas de José de Alencar e Machado de Assis, contribuam-me a compreender melhor os limites da crônica, a construir narrativas concisas e a sofisticar meu português.
Bom, logo antes de escrever esse texto, eu estava lendo esses materiais. Agora, assim como um espírita kardecista, esforço-me para incorporar algo dessas incríveis mentes pensantes, desses espíritos. Brincadeiras à parte, afinal sou católico, refleti bastante sobre o que esses gênios escreveriam em minha posição.
Veja bem, no meu lugar, tendo em vista o calor escaldante e as filas que assolam Florianópolis, eu apostaria que eles abordariam o tema da balneabilidade da beiramar e das outras praias.
Ora, um recente prefeito andou brincando com os corações dos florianopolitanos, falando sobre tornar próprias para banho as águas da beiramar, na região central da cidade. Uns manezinhos diziam que isso era impossível, outros iludiam-se com certa melhora nos índices de balneabilidade. Eu, sinceramente, não sabia em quem confiar. Nessas horas, temos que nos apoiar nos especialistas, mas eu não estava inclinado a apurar uma grande reportagem sobre o tema.
Restou-me divagar sobre como seria caso limpassem as águas da beiramar. Certamente, o povo do maciço do morro da cruz iria descer em peso. Assim também seria com a população da região continental. O ambiente seria bem democrático, perturbando, de certa maneira, a elite moradora dos prédios da Avenida Beiramar. A praia, a calçada e a ciclovia seriam revitalizadas e muito movimentadas. Talvez, as filas para as praias diminuiriam consideravelmente no verão. Talvez, até eu aproveitasse, visto que não moro na praia.
Pensando dessa maneira, arrisco dizer que essa medida seria vantajosa para a cidade. Seria, no mínimo, curioso e revolucionário. Surpreenderia até os manezinhos mais céticos. Sonhar não custa nada, mas a realidade é que a construção de uma marina no local é bem mais possível.
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