Olá! Escrevo, mais uma vez, direto de uma internação em uma clínica de reabilitação. É porque aqui as e ideias estão fluindo, não tem celular, e eu, consequentemente, venho lendo bastante.
A reflexão desta vez foi originada da leitura do livro “O céu e o inferno”, escrito por Allan Kardec, um clássico do Espiritismo e divisor de águas para a minha espiritualidade.
Foi uma surpresa, para mim, constatar grandes semelhanças entre a doutrina espírita e a do cristianismo tradicional. Ideias como as do juízo final, por exemplo, fazem sentido para mim, afinal, vivemos uma vida sem saber o que ocorre após a morte. Não é exatamente uma piração dos judeus primitivos da qual leitores sem instrução fazem leituras ao pé da letra. É uma ideia que ganha força com o advento do monoteísmo.
Todavia, não é esse o ponto que eu queria chegar. A reflexão que eu trago vem desde meu primeiro “momento católico”, quando eu, maravilhado, li, de forma voraz, dezenas de livros sobre milagres, vidas de santos e aparições. Eu tinha uma verdadeira coleção até que me desfiz gratuitamente em um “momento de rebeldia” e confusão mental.
Desde essa época, comecei a me perguntar: por que não vemos mais relatos desses eventos extraordinários na atualidade? Agora, que temos os celulares com câmeras, que poderíamos facilmente registrar esses acontecimentos, os milagres estão ficando cada vez mais discretos e menos impressionantes. Intrigado, procurava respostas para, então, defender a narrativa e o imaginário crente.
O argumento que consegui imaginar é que o mundo espiritual não quer ser registrado, não quer ser exposto. Na época, eu considerava esse argumento muito fraco, mas hoje, após ler “O céu e o inferno”, estou repensando.
Por que os espíritos e entidades não querem ser registrados? Olha, não sei, ou então os relatos dos milagres são todos uma grande mentira! (e não são poucos).
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