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Tesouros Literários 2

Olá, caro leitor contundente. Escrevo direto de uma clínica de reabilitação. Aqui, o celular não é permitido, portanto a leitura é uma questão de sobrevivência para mim.


Antes de ser internado, eu vinha lendo um livro interessantíssimo psicografado por Chico Xavier, chamado “Há dois mil anos”. A história se passa na época em que Jesus viveu, e isso me chama atenção. A riqueza de detalhes me leva a crer que realmente a história foi escrita por um espírito de outro plano.


A leitura estava sendo fantástica, pois há tempos sou órfão dos meus livros favoritos: nunca havia encontrado nada parecido. Minha literatura favorita é a escrita por Taylor Caldwell nos livros “Médico de homens e almas” e “O grande amigo de Deus”. A primeira é uma história fictícias sobre a vida de São Lucas e, a outra, sobre São Paulo.


Esses livros são verdadeiras viagens no tempo por suas riquezas de detalhes, regadas a muitas reflexões sobre religião e o advento do cristianismo. Por isso, eu estava empolgadíssimo com o livro de Chico Xavier e não queria ser internado. Eu estava lendo pelo Kindle e não podemos usar esse aparelho aqui.


Bom, tendo recebido a notícia de que seria internado, corri para a minha estante em busca dos livros que me acompanhariam em minha sofrida internação.


O primeiro que peguei, não sei por que, foi o clássico “O cortiço” de Aluísio Azevedo. Seria outra viagem no tempo (isso é a dádiva dos clássicos), e inédita, pois nunca li o livro. Infelizmente, ainda não peguei esse para ler. Clássicos são fantásticos, porém também cansativos.


Outro que, na afobação, escolhi, foi uma coletânea de crônicas sobre Floripa escrita por Flávio José Cardozo. Esse livro também é muito bom e me inspira em minha produção literária, mas até agora, em meu vigésimo dia de internação, não peguei para ler.


Os livros que eu trouxe e li rapidamente preocupam minha psiquiatra, ambos de Allan Kardec: “O evangelho segundo o Espiritismo” e o “O céu e o inferno”, também chamado de “A justiça divina segundo o Espiritismo”. Minha médica se preocupa porque meus surtos psicóticos tinham todos um tema religioso. Ela suspeitava que eu pudesse perder a lucidez com e essa minha obsessão pelo Espiritismo.


Mesmo assim, eu consegui a liberação dos livros aqui na clínica, facilitando, assim, minha estadia.


O “evangelho”, por sua vez, refrescou minhas noções sobre o Cristianismo. Amadureceu meu propósito de me voltar para o lado bom da vida, fazendo, humildemente, as pazes com ela. Percebi, na leitura, uma interpretação mais sóbria da bíblia. Bom, eu sempre acreditei fortemente na imortalidade da alma, e nunca vi problema na comunicação com os espíritos.


O segundo livro que li todo (e olha que é raro eu completar um livro), “O céu e o inferno”, foi muito impactante. A ideia de um “juízo final”, ou julgamento divino após a vida, faz muito sentido para mim. Mas procurei fazer uma leitura sóbria e madura do material, e não concordei com tudo. Por exemplo, não acredito que Deus é onipotente. Nem tudo que acontece é vontade dele, na minha opinião. Quando rezamos “seja feita a sua vontade”, supomos que ela pode não ser feita. As coisas seriam mais fáceis se o mundo monoteísta abandonasse a ideia de “onipotência de Deus”.


Bom, concluídas as reflexões teológias, ainda restam 3 livros que venho lendo. Foi no pequeno armário de livros disponibilizados pela clínica. Ali, encontrei um livro de Ken Follet, chamado “Noite sobre as águas”. Já tinha ouvido falar desse escritor aqui e ali, mas nunca tinha dado uma chance. E foi uma ótima surpresa! Está enriquecendo muito minhas noções sobre o contexto do início da Segunda Guerra Mundial.


Também peguei um livro chamado “Como o Al-anon Funciona - Para familiares e amigos de alcoólicos”. Lendo, pude ter uma dimensão do mal que causa o alcoolismo, a chamada “doença da família”. Sempre que leio materiais de familiares de adictos sinto muita compaixão. Me lembra da vez que fui a uma reunião do grupo “Amor Exigente” e caí em um choro compulsivo.


Por último, peguei um livro de um cara que trabalha aqui, um belga chamado Philipe Debled. Esse livro, intitulado “Na outra margem”, conta a história de vida do sujeito, que viajou o mundo todo e também sofreu para se recuperar da dependência química. O cara parece que saiu de um documentário do National Geographic e tem muita história para contar. Eu, particularmente, acho fantástico ler livros escritos por autores que conhecemos pessoalmente.


Enfim, parece que ficar sem celular está sendo muito bom para mim, mas, ao mesmo tempo, estou sentindo muita falta. Às vezes, aqui, imagino que, se tivesse dinheiro, abriria um “spa sem celular”, onde os hóspedes só teriam contato com seus celulares em caso de urgência, comunicada pela equipe do spa. O spa, é claro, teria uma vasta biblioteca para os hóspedes voltarem a ler. Já pensou?

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