Em meados dos anos 2000, o Figueirense Futebol Clube jogava contra o Palmeiras pela Série A do Campeonato Brasileiro. O jogo era fora de casa, na capital paulista, e, na arquibancada de visitante, estavam os alvinegros mais corajosos. Isso porque a torcida organizada do Palmeiras era inimiga da do Figueirense.
Entre os alvinegros presentes, estava Orégano. O jovem recebera esse apelido em memória ao dia em que estava muito doido em um churrasco e resolveu temperar o queijo coalho com murrugas de maconha. Orégano estava com o rosto colado ao alambrado, olhando fixamente para uma faixa da torcida do Palmeiras, assim como um cão esfomeado visualiza um pedaço de churrasco.
Conforme o tempo passava, a adrenalina dominava seu cérebro, o frio na barriga era intenso: o jovem almejava furtar a faixa dos rivais. Depois de alguns minutos, sem sequer avisar os colegas, foi rápido ao banheiro. Em uma cabine, retirou uma peteca de cocaína, preparou uma carreira pequena e fina, o bastante para dar força, coragem e autoconfiança ao rapaz, tudo isso sem se alterar demais. De fato, Orégano era um usuário de drogas de sucesso: ela não dominava ele.
Após consumir a substância, ele voltou rápido ao alambrado e ficou esperando a bola ir para o outro lado do campo. Lógico, assim as atenções de todos estariam voltadas para longe da tão almejada faixa inimiga. E, de fato, a bola foi para o outro lado, e, por sorte, acontecera uma falta polêmica, ocasionando em uma briga entre os jogadores. Nessa hora, Orégano já estava em cima do alambrado, pulando para dentro do campo.
A adrenalina era tanta, que o rapaz mal conseguia controlar a respiração. Correu na maior velocidade possível, chegou à faixa inimiga e deu um puxão com todas as forças que tinha. Por sorte, umas 3 ou 4 puxadas foram o bastante para arrancar a faixa. Os palmeirenses só foram perceber o crime perfeito quando Orégano já estava chegando ao alambrado da parte dos torcedores alvinegros.
Quando aterrissou na arquibancada alvinegra, seus companheiros não acreditavam, e começaram a comemorar mais que um gol. Pulavam e gritavam freneticamente, e esse momento, certamente, fora um dos mais felizes da vida do heroico rapaz.
A volta para Florianópolis foi tensa, principalmente nos primeiros momentos: os alvinegros achavam que os palmeirenses iriam preparar uma emboscada e resgatar a faixa. Mas, por algum motivo, talvez pelo policiamento bem planejado daquele dia, nada acontecera.
A notícia do feito epopeico rapidamente se alastrou no mundo das torcidas organizadas. Os aliados dos figueirenses riam até a barriga doer, e os aliados dos palmeirenses sentiam vergonha alheia. Orégano logo ficou famoso nessa bolha. Ganhou respeito e tudo mais.
Meses depois, em dezembro, Orégano estava em casa com sua nova namorada gostosa planejando ir à praia. A garota tinha familiares que moravam na praia do Campeche, e começou a insistir para irem lá. O jovem guerreiro, por sua vez, se preocupou um pouco, pois o sul da ilha é um lugar mais dominado pela torcida organizada do Avaí.
Porém, uma série de raciocínios fizeram o jovem concordar com a gostosa e ir ao Campeche. Pior ainda: com um boné de sua torcida organizada. Horas depois, lá estavam os dois e os familiares da garota. O dia estava lindo, a praia estava fascinante e tudo estava na santa paz.
Orégano bebia caipirinha quando começou a ouvir berros. Algo dizia que era o que ele temia. Cinco avaianos corriam em sua direção, com caras de psicopatas, dois deles armados de cadeiras de madeira. Orégano rapidamente jogou o boné na direção deles, na intenção de fazê-los desistir, mas não foi o suficiente.
Um dos avaianos era magrinho e muito veloz, não é à toa que estava lá, e rapidamente alcançou orégano e o derrubou com a perna. Quando os caras armados com as cadeiras chegaram, não durou uma paulada para “desacordar” Orégano. A ideia não era matá-lo, mas a lesão na cabeça fora fatal.
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