Delírio ou mediunidade? Eu sei que não sou só eu que vivo essa angústia. O fato é que tenho uma fé inabalável, digna de um monge, e isso é problemático para minha saúde mental. Eu tive algumas experiências estranhas nos últimos dias, que poderiam ser sinais de um surto psicótico, porém eu sigo lúcido para os outros, estou vivendo a vida normalmente. Cheguei a pedir para ser internado, minha psiquiatra não achava que era o melhor para mim, e eu acabei desistindo no último momento.
Minha psiquiatra tem um receio de me dar o diagnóstico. Ela está me estudando. Por uns poucos meses, passei por um outro psiquiatra, que disse que meu caso era bipolaridade. Mas acabei voltando a me tratar com a profissional anterior. Vale lembrar que eu li um livro sobre esquizofrenia e me identifiquei bastante. Desde então, a gente desconfia disso, mas ainda não é certo.
Entre tantas coisas que poderia narrar aqui, escolhi uma que me marcou profundamente. Foi semana passada ou retrasada, não sei dizer exatamente, pois minha memória e mente estão prejudicadas. Eu vinha me identificando com o satanismo por uma série de motivos. Gostava da sintonia do deus das trevas (é assim que eu o chamo, se ele existe), principalmente a musical.
Pois bem, estava de madrugada no escuro do quarto ouvindo essas músicas, quando senti uma presença. Não sei explicar como é sentir essa presença, só sentia que havia alguém ali. É claro que pode ser um surto, um delírio, uma alucinação, e eu sempre vou ressaltar isso, mas minha fé no plano espiritual também é grande.
E o que eu decidi fazer em relação a isso? Resolvi colocar uma música em especial para essa entidade aparecer. A música perfeita foi “Turn on Your Light”, da banda Judas Priest. Leia a letra e você vai entender. Então eu esperei por alguns minutos, até que, repentinamente, comecei a ouvir frases prontas surgindo na mente, mensagens, avisos.
Uma das mensagens era: “Beto, se desligares o abajur, ele vai aparecer!”. Outra dizia: “Beto, se fores ao banheiro, não olha para o espelho, senão ele vai aparecer”. Ou então uma outra: “Beto, pega uma folha de Bíblia para queimar, caso algo aconteça!”
A gravidade dos avisos pesou o ambiente, e eu comecei a sentir uma hostilidade no clima. Rapidamente, um medo tomou conta de mim: essa presença não gosta que percamos o medo dela. Claro, como sempre vou dizer, se é que não é um delírio!
E, assim, parei de me identificar com o satanismo. Também comecei a suspeitar que essa suposta entidade começava a me obrigar a fazer o mal, por isso desisti dessa história.
Bom, essa experiência, real ou não, foi tão intensa, que eu não seria capaz de apunhalar essa entidade pelas costas. Naturalmente, comecei a me interessar pelo politeísmo, a crença em múltiplos deuses. Eu, de fato, acredito em divindades, só não cultuo nenhuma! Também não acredito que a humanidade seja capaz de dizer como elas são.
Enfim, tenho a mente aberta para reconhecer que tenho alguma doença e eu até prefiro que seja assim. Talvez, com o diagnóstico, eu possa conquistar, com mais facilidade, uma saúde mental satisfatória. Entretanto, espero que respeitem minhas crenças…
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