É, leitor contundente, já faz um tempo que não posto nada aqui, e, relendo minha última crônica, intitulada “A quantas ando”, senti forte necessidade de vir me retratar. Eu poderia sentir vergonha destes escritos, mas penso que, talvez, essa loucura toda seja interessante. O fato é que, quando escrevi essa última crônica, eu estava vivendo o processo de retirada de um antipsicótico, o que foi algo dificílimo para mim.
Noto que, com ou sem antipsicótico, eu vivo uma espécie de “crise de identidade”. Às vezes, cismo com uma religião, ou ideologia, um movimento, um gênero musical e começo a pensar que essas coisas dão sentido à minha vida.
Somado a isso, pra piorar, tenho uma certa tendência a ter pensamentos autorreferenciais, o que, em outras palavras, eu diria uma “mania de grandeza”. Durante essa retirada do antipsicótico, por exemplo, cheguei a imaginar que a polícia me investigava, ou que uma facção me amava e outra me odiava. Pensava que a sociedade queria minha morte. Uma loucura completa.
A boa notícia é que eu sobrevivi a esse “desmame”, me sinto lúcido (apesar de eu sempre achar que estou lúcido) e entendi que eu devo parar de me agarrar em algum “tema” para dar sentido à vida.
Se algum metaleiro um dia ler essa minha última crônica, certamente ficará indignado. Nela, eu relato como descartei facilmente esse som. Mas o curioso é que, no fim, passada a tempestade, voltei a escutar o metal. Simplesmente escuto porque curto o som e isso me faz bem. Não é porque eu odeio as religiões, ou porque sou revoltado com deus (ou deuses).
Acho que a lição que fica é a que eu não devo me adaptar a nada, devo ser quem eu sou sinceramente. Lembro que foi numa busca de ser um metaleiro “truezão” que acabei me viciando na droga química. Logo eu descobriria que, sob efeito dessa substância, eu não gostava muito de ouvir esse som. Não acho que ele seja um gatilho para mim, e é por isso que eu venho escutando.
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