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A quantas ando

É, leitor contundente, continuo minha jornada espiritual, que poderia arrancar boas risadas de qualquer um. A música "Preciso me Encontrar", do Cartola, parece que foi feita para mim, mas eu não a escuto, pois ela me atinge como um raio dos céus.


Essa saga começou há mais de dez anos, quando eu fumava maconha ouvindo Bob Marley. Suas letras espirituais e religiosas me chocaram profundamente. "Running Away", por exemplo, me deixava estarrecido. "Work" e "Forever Loving Jah" eram outras músicas pesadíssimas do músico jamaicano.


Aquilo me atingiu de tamanha maneira, que comecei a achar que essa planta possuía algum poder espiritual, que fosse de fato sagrada. E, então, minha fé nascia.


Comecei a pesquisar, de forma obsessiva, sobre o rastafarianismo e seu messias, Haile Selassie, o imperador etíope. Os jamaicanos o veneravam e o viam como Deus.


Pois bem, a maconha começou a me deixar extremamente ansioso e paranoico, e eu precisava abandoná-la. O messias dos rastafaris, Selassie, era da Igreja Ortodoxa Etíope, uma igreja cristã muito antiga. Ela é como a "Igreja Católica" dos etíopes. Então, naturalmente, eu comecei a pesquisar sobre o catolicismo romano.


Li dezenas de livros católicos, de forma compulsiva, fui a missas, participei de um grupo de jovens.


Também me interessei pela Igreja Adventista, pois eu gostava muito do canal de TV deles. Cheguei a ir, em alguns sábados, no culto deles.


Recebi de presente um Alcorão, de um amigo muçulmano. Li alguma coisa e achei interessante.


Também li sobre o espiritismo, que me interessou bastante. Recomendo fortemente os materiais do Chico Xavier e Alan Kardec.


Depois comecei a enaltecer as culturas politeístas, atacando o monoteísmo como o grande mal da humanidade.


Até que me revoltei contra a religião. Comecei a ouvir metal extremo de forma obsessiva e odiar as diversas formas de religiosidade. Essa sintonia vinha me dando prazer e consolo.


Então, semana passada, recebi um convite para conhecer a Umbanda. Eu fui, e foi legal. Normal. Falei com uma entidade e ela me disse coisas bonitas. Eu não sei se acredito nas coisas que vi lá, mas também não descarto a possibilidade de serem reais.


Bom, a princípio, eu não pretendo entrar na Umbanda, mas essa sessão mexeu comigo. Nesses dias, minhas mãos estiveram trêmulas, eu senti um forte frio na barriga, não consegui ler meus livros e perdi o apetite. Aconteceram, nesses dias, outras coisas marcantes em minha vida pessoal, e seria desonesto da minha parte desconsiderar isso, mas essa sessão de Umbanda, com toda certeza, me deixou abalado.


E detalhe: no momento, não estou mais conseguindo escutar o Metal Extremo, pois parece que entrei em outra sintonia. Na verdade, quando fui receber a benção de uma entidade, eu perguntei sobre essas músicas, e ela fez um sinal de “cortar” isso. De início, eu pensei em ignorar esse sinal, mas o tempo foi passando e eu não tenho mais conseguido escutar esse som.


Sorrindo para não chorar, eu só peço a Deus serenidade...

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