Caro leitor contundente, finalmente consegui parar e escrever este texto. Sou um aspirante a escritor preguiçoso. Bom, por onde começar? Lembro que ao final do meu último texto chamado “Sobre o punk”, comentei sobre um episódio com punks “de verdade”. Vou contar uma parte dessa história, que os ajudará a entender por que hoje prefiro metal.
Eu estava bebendo cerveja num bar de sinuca e rock nas proximidades da UFSC. Já tinha visto uns punks na pracinha algumas vezes e sabia que eles estavam por ali. Eu estava com um colete com o “S” do Sepultura bem grande nas costas, além de outros patchs de bandas de metal. Conforme eu bebia, crescia a genial ideia de ir lá conversar com os caras. E eu fui.
Resumindo o episódio, fiz uma piada sobre comprar cachaça para punks e fazê-los felizes, e a maior parte dos caras não gostou. Daí começou um debate interminável sobre o que é ser “punk de verdade”. Eles se diziam “Street punks”. Essa história tem outros fatores, mas estou fazendo o máximo para focar no essencial, que é dizer que os punks são chatos pra caralho! Eu não quero ter que provar pra ninguém se sou isso ou sou aquilo, e isso é marcante no movimento punk. Além disso, eu não sou fudido. Ninguém diz que alguém é um falso metaleiro porque o sujeito tem boas condições de vida.
Repito, esse episódio tem muitos outros fatores e eu resumi ao máximo. Na volta pra casa, vomitei pra fora do carro do uber em movimento.
Enfim, caro leitor contundente, você pode se perguntar: “mas é só por isso que o cara prefere metal?” Pois eu também prefiro musicalmente! E agora vou contar outra cena.
Bom, eu noto que o punk é mais politizado, ao passo que o metal trata mais do ocultismo, do fim do mundo, da morte, etc. A temática do metal é perfeita para quem está tendo um surto psicótico e delírios religiosos.
Eu fumava maconha há uns 6 ou 7 anos, e desde então não ouvia mais hardcore nem punk rock. A maconha, definitivamente, me afasta do punk/metal. Gostava de reggae e do rastafári, viajava vendo páginas da Igreja Ortodoxa Etíope e lendo sobre o Haile Selassie. Quando vi, estava começando a pesquisar sobre a própria Igreja Católica.
O problema é que eu tinha começado a tomar remédios psiquiátricos e parei por conta própria, abruptamente. E tive um surto psicótico. Comecei a achar que o diabo estava me ordenando fazer coisas. Segundo a minha intuição, a entidade queria que eu fosse menos acovardado, me impusesse mais, fosse mais egoísta, mais grosseiro e menos amoroso. Ela tinha ódio quando eu esquecia de mim por causa dos outros, ou assumia o papel de “coitadinho”. E, às vezes, a entidade me convencia de fato.
E, entre outras coisas, a entidade queria que eu ouvisse metal. Pois bem, tentei lembrar das bandas que eu escutava havia séculos, antes de fissurar no hardcore e depois fumar maconha. Então ouvi e foi sensacional. Lembro de caminhar pelas ruas do meu bairro com o fone de ouvido e sentir um forte frio na barriga. Não sei se foi culpa da falta dos remédios, mas o que senti deixa a droga no chinelo. Senti uma forte emoção e uma liberdade indizível. Minha alma estava livre. Eu refletia sobre os séculos de domínio cristão e a inédita possibilidade de fazer o que o Black Sabbath fez nos anos 70. Essa voz estava calada por séculos. De fato, é de arrepiar.
Lembro que também ouvi o Black Álbum do Metallica, outras músicas do Iron Maiden. Mas a trilha sonora que mais me marcou nesse momento foi a música “Diamonds and Rust” do Judas Priest. Lembro de sentir uma energia que não era deste mundo. E o curioso é que eu não queria ouvir essas músicas, ouvi “à força”, mas no fim foi inesquecível.
Hoje reflito muito sobre tudo isso, sobre o motivo de eu gostar tanto de metal. Vejo que sou muito emotivo, os sentimentos me atormentam. Não gosto de me emocionar, especialmente em público. Deve ser por isso que eu exagerava com substâncias. E deve ser por isso que gosto do metal, essa música agressiva que me traz paz e tranquilidade. Odeio me emocionar.
Por fim, sobre a política e ideologia do metal, eu só acho que o metaleiro não pode ser conservador. Só isso.
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