E a minha saga continua! Continuo buscando meu caminho espiritual e, nos últimos dias, tive mais uma reviravolta. Parece até cômica a minha situação, pois estou sempre mudando, mas eu faço questão de atualizá-los sobre isso. Não quero que pensem algo errado ou antigo sobre mim.
Às vezes, sinto que deveria focar mais na escrita dos contos e narrativas fictícias, porém eles são muito mais difíceis e trabalhosos. Essas crônicas em que eu falo de mim são muito fáceis de escrever, afinal, estou relatando as minhas próprias experiências.
Enfim, há pouco, estava profundamente identificado com o catolicismo, até que cansei e me revoltei contra o cristianismo. Passei a pesquisar sobre paganismo e as culturas politeístas e ver os cristãos como a fonte de todos os problemas. Eu estava surfando nessa onda de rebeldia, convicto, até que caí da prancha. Foi numa conversa com uma pessoa umbandista. No diálogo, em dado momento, a pessoa disse que nunca leu a bíblia. Minutos depois, começou a falar sobre como Jesus era e o que ele significava para ela. Então eu fiquei intrigado: como a pessoa pode falar de Jesus se nunca leu a bíblia?
Posto isso, eu até a indaguei discretamente, receoso de que pudesse ofendê-la, mas ela ficou tranquila. A conversa cessou, e eu passei uns dias pensando sobre o assunto. Ora, eu não sou um médium, mas tem quem diga que o é, e essas pessoas relatam experiências e contatos que podem indicar como Jesus é de fato. A questão é que, dependendo apenas da bíblia, eu tenho um pé atrás com a figura de Jesus Cristo, em função, principalmente, do Velho Testamento. Entretanto, o relato dessa pessoa umbandista sobre Jesus me agradava, e não era a primeira vez que eu ouvia esse relato.
A chave virou-se em minha mente. Eu precisava ter a mente aberta, ler os relatos desses médiuns e avaliá-los. Nessa hora, de imediato, peguei meu celular e pesquisei por livros espíritas. Entre tantas opções, um do Chico Xavier me chamou atenção: “Crônicas de além-túmulo” do espírito do escritor Humberto de Campos. Era uma grande oportunidade de estudar, ao mesmo tempo, as crônicas, a literatura e o espiritismo.
No momento, estou na metade do livro, encantado. Talvez eu esteja me encontrando, mas eu tenho a prudência de quem mudou muito nos últimos anos.
Lendo, refleti bastante sobre o fato de o espiritismo ter surgido no século 19, uma época em que os livros começavam a baratear. Os médiuns, pela primeira vez, tiveram a oportunidade de registrar e divulgar de forma mais abrangente as suas experiências. Esse foi um marco revolucionário em outras áreas também, como na parte científica, por exemplo. Na parte espiritual, não poderia ser diferente. Logo, comecei a acreditar que o espiritismo era a “evolução” do cristianismo, o caminho do aprimoramento espiritual. Esse pensamento, para mim, um entusiasta dos livros, foi muito cativante.
Por fim, ao longo de todo esse trajeto de ideias e reflexões, pensei sobre as passagens do Velho Testamento que condenam o espiritismo e a comunicação com os mortos. Porém, lendo o meu livro, eu fico pensando: por que não seria lícito essas consultas aos mortos que resultam em coisas tão belas? Ademais, pouco me importa o Velho Testamento!
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