Hoje foi um dia bom. Reuni-me com meu pai e outros parentes, onde tratamos de vários aspectos de sua vindoura campanha para vereador. Não poderia deixar de citá-lo, apoiá-lo e convidá-los a votar nele. Após momentos que nos exigiam criatividade e boas ideias, decidi de mim para mim que iria continuar botando o cérebro para funcionar: fui ler na praia. Estou lendo dois livros por diferentes meios, um é o PDF de "Sobre a Escrita", de Stephen King, e o outro é um livro físico de "Diário do Hospício/O cemitério dos vivos", escrito por Lima Barreto. Posto isto, devia escolher algum.
Confesso que minha decisão inicial foi a obra autobiográfica do Stephen King, cuja leitura é mais leve e harmoniza com a praia. Porém, com um simples mas derradeiro olhar, vi milhares de minúsculos grãos invadindo meu tablet, pela entrada dos fones, as saídas de áudio e os botões. Caso encerrado: trouxe o de Lima Barreto. Lá na Praia Mole, em meio a relatos escabrosos sobre um antigo hospício, afora belas ondas de um metro e vento terral, irrompeu-me uma reflexão.
O debate sobre os meios digital e impresso é interessante e rende. Há inclusive os fanatizados:
- Jamais! Nunca vou substituir a tinta e o papel por esses trecos. Geração de mimados!.
Ou então:
- Tolos! Vocês estão aí torrando fortunas em papel enquanto eu leio essa obra prima por R$ 1!
Diabos, onde está o espírito democrático, pessoal?
Larguemos a bobice, cada caso é um caso. Veja, com os livros impressos não corremos o risco de clicar em botões sem querer, mudando de página. Aliás, é mais fácil mudar de página de um livro do que de um PDF. A sensação de ter a obra em mãos, com aquela bela capa, também é agradável. Lembro-lhes também da visão dos exemplares figurando em nossas prateleiras. Que belos sentimentos temos ao avistar nossas coleções completas! Tanta história vivida e sentida ali. Nesse sentido, destacam-se os leitores de quadrinhos. Como se gabam na internet os donos das vastas coleções! As lombadas formando imagens, dos personagens em ação, atacando, voando, gesticulando. Os fãs da nona arte gastam fortunas em função disso.
Ah! Também há o cheirinho de tinta no papel, que nos traz boas sensações.
Por outro lado, as vantagens do meio digital também não são difíceis de adivinhar. Pelo tablet temos um acesso mais fácil às obras, já que a chegada das encomendas físicas são demoradas. Ademais, com a recente crise editorial brasileira, as lojas físicas das grandes livrarias não vão bem das pernas. O tablet também proporciona a oportunidade de lermos online, a qual é uma vantagem notável.
Certos tempos, quando ando instigado pelas tramas da nossa política, frequento muito as páginas de nossos grandes jornais, atualizando-as para acessar as mais recentes notícias. Há também a questão, muito considerável, do espaço físico. São numerosos os leitores de livros que não têm mais lugares para guardá-los. Em relação aos quadrinhos o problema cresce ainda mais. Meu irmão, um acadêmico de Direito, simplesmente teve que diminuir as compras, pois não há mais espaço em seu quarto. E, vendo o montante de quadrinhos que eu leio em meu tablet, por preço baixos ou grátis, copiou-me comprando um também, em um ato de baixa originalidade.
Ao cabo, responderei à tola pergunta: prefiro o impresso. Mas não posso ignorar a grande vantagem do tablet, que é ler com a luz apagada: de quando em quando o interruptor está longe demais.
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