Lembro-me do fascínio que tinha pelo Walk Talk quando criança. Correndo pelos gramados de um camping, me sentia um verdadeiro policial comunicando de longe com meus colegas e investigando cada canto que o lugar escondia. Hoje, 15 anos depois, seria incomum passar um fim de semana sem receber uma simples ligação de celular ou mensagens em redes sociais.
Aí penso no baque que devem estar sentindo as velhas gerações. Não cresceram jogando vídeo-game, muito menos navegando pela internet. O que devem pensar vendo crianças manuseando ipads e notebooks com tamanha facilidade? Vejo distâncias astronômicas entre tais faixas etárias. Seja pelo comportamento, temperamento ou senso de humor, essas diferenças estão em evidência.
Acontece que há um mundo cibernético crescendo feito bola de neve, e quem não consegue desbravá-lo ou não o quer, de certa forma, vai sendo marginalizado. Ora, uma pessoa que não cresceu explorando as maravilhas da internet, cresceu explorando outras coisas. Adquiriu outro tipo de conhecimento, outras experiências. O que pensam os idosos presenciando em silêncio seus netos fazendo uma conversa em vídeo pelo celular, as novas gerações não sabem, mas a arrogância dos netos frente à sabedoria de seus avós é perceptível aos meus olhos.
A importância dos idosos neste período é a de quem viveu as duas realidades. A de quem sabe dos avanços e prejuízos que estão ocorrendo com a humanidade. A mesma de Proudhoun e Marx quando viram o capitalismo crescendo e modernizando-se ou a dos cubanos que presenciaram a revolução socialista. Por isso tenho total atenção nas palavras dessas gerações e curiosidade pelo que estão sentindo.
Ainda que frustrado por ver muitas pessoas respeitáveis acuadas por esta onda, reconheço todos os avanços que ela impulsiona. Pesquisas que duraríam uma tarde na biblioteca reduzem-se a uma hora no Google ou Wikipedia. O planeta diminuiu. Pode-se ouvir música nativa da Sibéria quando quiser, conhecer uma cidade do Texas por imagens do Satélite e descobrir uma receita da gastronomia polinésia. Flanar pela internet tornou-se um de meus hábitos favoritos.
Uma situação que simboliza tudo isso foi uma conversa que tive com um amigo mês passado. Sorridente, disse para mim que havia ficado com cinco meninas em uma festa universitária. Com um ar de quem sabe das coisas, explicou que conheceu três delas em uma rede social de relacionamentos. Basta uma curtida recíproca que o sistema cria uma conversa e as pessoas se conhecem. Como as coisas estão se tornando simples!
Assim as pessoas que adotam essas ferramentas vão adquirindo um estilo de vida, um senso de humor e até uma linguagem específica. Querem atividades cada vez mais rápidas. Uma tarde sentado debaixo de uma árvore parece-lhes inviável. O porquê? Perguntem aos idosos e aos hippies.
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